Lara Vaz-Tostes

Um lugar para quem escreve com o corpo e escuta com a pele.

Há uma palavra que nunca quis nascer.

Não era silêncio. Nem sombra.Nem o avesso da luz.

Era o que havia antes de qualquer direção.

Não pediu para ser pensada — e não foi.

Mas um corpo a pressentiu,

ao pisar no chão pela primeira vez,

e sentiu o não-chão,

e decidiu viver.

Chamou esse não-chão de Letum,

mas apenas em pensamento.

E então nasceu uma outra palavra,

Eros —não como desejo,

mas como

juramento de existência.

Eros: aquele que olha para Letum e diz:”Não te odeio, mas também não te sigo.

Fico.”


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