Há uma palavra que nunca quis nascer.
Não era silêncio. Nem sombra.Nem o avesso da luz.
Era o que havia antes de qualquer direção.
Não pediu para ser pensada — e não foi.
Mas um corpo a pressentiu,
ao pisar no chão pela primeira vez,
e sentiu o não-chão,
e decidiu viver.
Chamou esse não-chão de Letum,
mas apenas em pensamento.
E então nasceu uma outra palavra,
Eros —não como desejo,
mas como
juramento de existência.
Eros: aquele que olha para Letum e diz:”Não te odeio, mas também não te sigo.
Fico.”


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