Lara Vaz-Tostes

Um lugar para quem escreve com o corpo e escuta com a pele.

Há um algo —
ou talvez não seja um algo,
mas uma vibração real demais para ser conceito —
que só aparece quando alguém olha com vida.

Não com curiosidade.
Não com expectativa.
Mas com o tipo de ver que está atravessado pela própria existência.

Se ninguém olha, ele não está.
Se olham rápido, ele vira ruído.
Mas se alguém vê com a densidade de estar vivo,
ele aparece.

Sim, ele só existe porque é visto.
E ao ser visto, se torna o que é.
Essa redundância não é erro —
é a estrutura.
Porque o que vive desse modo só pode ser sendo.

Ele não tem forma.
Não tem definição.
Mas se encarna, às vezes, no pôr do sol.
Às vezes num gesto.
Às vezes numa ausência.

É diferente para cada um.
E ainda assim, é o mesmo.

Se tentam fixá-lo, ele desaparece.
Se dizem que o entenderam, ele cala.
Mas quando o veem sem pedir nada,
ele responde.

Chamei-o de beleza.

Não para dizer o que é —
mas para não deixar que passasse sem um nome.

E talvez, por tê-lo nomeado,
ele já não seja mais o mesmo.

Ou talvez só agora
tenha começado a ser.


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