Antes do nome,
eu já era.
Não com rosto,
não com gesto,
mas com um saber sem borda,
sem margem,
sem início.
Algo em mim sabia
o que não se ensina.
Sabia como o chão sabe a raiz
sem nunca tê-la visto.
Era um saber sem palavra,
feito de pele que respira sozinha,
de silêncio que não pesa,
de presença que não pede licença.
Às vezes, ele me escapa —
na curva de um pensamento,
na dobra de um dia qualquer,
quando tento agarrá-lo
e ele sorri como quem brinca:
“ainda não.”
Mas está.
Está nas pausas.
Naquilo que antecede o sim.
No que permanece
quando todo o resto vai embora.
Não sei o nome.
Nem quero.
Se nomear, talvez escape.
Se explicar, talvez morra.
Então eu fico quieta.
E ele fica também.
E nesse pacto sem voz,
me torno.
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