Lara Vaz-Tostes

Um lugar para quem escreve com o corpo e escuta com a pele.

Entrei na sala sem perceber.
Ou talvez ela tenha entrado em mim.
O ar ficou mais espesso, como se respirasse lembrança e não oxigênio.
Cada passo que dou aqui me lembra do que deixei para trás.
Não são fantasmas, são escolhas não feitas, que me observam sem exigir nada, mas não me deixam ir.

O peso muda quando penso em pessoas.
Não é o rosto que vejo, é o espaço que ficou depois que se foram.
O que vivi com alguém, o que deixei de viver, o que nunca vou saber se teria sido.
A sala se torna mais funda, mais viva, quando carrego esses rostos dentro dela.

Não tento dar nomes.
Nomear seria amputar o que é maior do que qualquer palavra.
O que se perde vivendo é mais vasto do que o que se ganha.
Não falo de valor, mas de quantidade.
Cada passo que dou é um corte no infinito de possibilidades.

E então percebo: talvez minha vida inteira seja esta sala.
Ou talvez eu não esteja nela.
Talvez eu seja ela.


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