A dor de cabeça pulsa.
Regular. Inegociável.
Os olhos pesam numa umidade suspensa,
um quase gesto que não se completa.
As pernas balançam, discretas,
num movimento sem intenção,
como se o corpo procurasse um ponto
que não chega a se fixar.
A mente, exausta de si,
já não formula, já não reage.
Apenas cede em ruído.
E então, sem transição,
algo afrouxa.
Nada muda.
Ainda assim, algo pesa menos.
O instante não melhora —
apenas deixa de resistir.


Deixe um comentário