Sentava nos degraus de um museu, esperando o carro para casa.
Não estava feliz.
Também não estava triste.
A praça em frente estava cheia.
O pipoqueiro escutava um radinho.
Eu, sozinha.
Talvez os olhos um pouco úmidos.
Tristeza dessas que não pedem explicação.
Passou um rapaz vendendo balas.
Ofereceu uma.
Recusei — falta de recursos.
Ele seguiu.
Algum tempo depois voltou.
Disse que minha cara parecia triste
(e talvez estivesse mesmo)
e me deu uma bala.
Não me deixou feliz.
Mas voltei para casa
com uma bala no bolso
e uma pequena fé no mundo.


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