Ela começa a se preparar cinco horas antes.
É coisa dela.
Escolhe a roupa devagar, volta ao espelho, muda de ideia. Há sempre algo a ajustar: um fio de cabelo, um gesto, um perfume. Como se a noite dependesse de pequenos detalhes.
Ele começa uma hora antes.
Também nervoso, embora talvez não saiba dar esse nome ao que sente. Escolhe uma camisa, depois outra. Abre o frasco de perfume e exagera na fragrância.
Percebe.
Decide trocar de blusa.
Qual?
Procura outra com pressa.
No movimento, derruba o frasco de perfume no chão.
Pano. Água. Pressa.
O relógio segue.
Já deu a hora.
Ela, pronta.
Ele ainda procura uma blusa.
E é entre esses dois gestos que um encontro começa.


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