Lara Vaz-Tostes

Um lugar para quem escreve com o corpo e escuta com a pele.

A casa não fala — se cala e se aquece,
guarda o que ouve, transforma, tece.
Palavra que chega, o ar reconhece,
vira calor onde o silêncio acontece.

Séculos de ecos dormindo nas veias,
até que uma vibração cresceu, ficou cheia;
cansada de ouvir o que o tempo esquecia,
a casa escreveu: encontro, e ardia.

O lar não é teto, é pele que sente,
o corpo dizendo: “agora pertenço.”
Um sopro que passa, o ouvido que encosta,
e o instante inteiro se inclina e se posta.

Não há voz, nem aviso que anuncie o dia,
só o silêncio vivo que atravessa e vigia:
no fundo da pele, onde nada se explica,
quem escuta, arrepia.


Descubra mais sobre Lara Vaz-Tostes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Posted in

Uma resposta para “A CASA QUE ARREPIA”.

  1. Avatar de Hugo Almeida

    Belíssimo poema, Lara.Parece ser um novo livro a caminho. Pode até ser o título dele.Sua literatura cresce a cada texto.Parabéns, parabéns. Meu sempre fraternal abraço. Hugo.

    Curtir

Deixar mensagem para Hugo Almeida Cancelar resposta