A casa não fala — se cala e se aquece,
guarda o que ouve, transforma, tece.
Palavra que chega, o ar reconhece,
vira calor onde o silêncio acontece.
Séculos de ecos dormindo nas veias,
até que uma vibração cresceu, ficou cheia;
cansada de ouvir o que o tempo esquecia,
a casa escreveu: encontro, e ardia.
O lar não é teto, é pele que sente,
o corpo dizendo: “agora pertenço.”
Um sopro que passa, o ouvido que encosta,
e o instante inteiro se inclina e se posta.
Não há voz, nem aviso que anuncie o dia,
só o silêncio vivo que atravessa e vigia:
no fundo da pele, onde nada se explica,
quem escuta, arrepia.
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Uma resposta para “A CASA QUE ARREPIA”.
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Belíssimo poema, Lara.Parece ser um novo livro a caminho. Pode até ser o título dele.Sua literatura cresce a cada texto.Parabéns, parabéns. Meu sempre fraternal abraço. Hugo.
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