Lara Vaz-Tostes

Um lugar para quem escreve com o corpo e escuta com a pele.


Sou feita de ruídos calmos.
De ondas que não quebram — mas continuam.
Carrego um sopro antigo entre as costelas,
um quase-canto que não precisa ser ouvido.

Penso com o corpo,
sinto com a ideia,
respiro pensamentos até que doam.

Quando o mundo se cala,
eu o escuto mais fundo —
ele me fala com olhos de vento.

Não nasci para ser inteira:
sou movimento entre o que foi
e o que ainda não é.

Cada gesto é um vestígio do que pressinto.
Cada palavra, um fio de pele
entre o visível e o que vibra.

Há quem veja o tempo.
Eu o sinto passar dentro da respiração.

Vivo entre o som que antecede o nome
e o nome que já esqueceu o som.

Não quero repouso.
Quero o instante antes da paz —
o exato segundo em que tudo
ainda respira
e delira.


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Uma resposta para “Poema de Mim”.

  1. Avatar de Hugo Almeida

    Belíssimo poema, Lara.Humano-angelical, cotidiano-filosófico. O mergulho da palavra n’alma.As duas últimas estrofes são magistrais.Parabéns, parabéns. Hugo.

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