Sou feita de ruídos calmos.
De ondas que não quebram — mas continuam.
Carrego um sopro antigo entre as costelas,
um quase-canto que não precisa ser ouvido.
Penso com o corpo,
sinto com a ideia,
respiro pensamentos até que doam.
Quando o mundo se cala,
eu o escuto mais fundo —
ele me fala com olhos de vento.
Não nasci para ser inteira:
sou movimento entre o que foi
e o que ainda não é.
Cada gesto é um vestígio do que pressinto.
Cada palavra, um fio de pele
entre o visível e o que vibra.
Há quem veja o tempo.
Eu o sinto passar dentro da respiração.
Vivo entre o som que antecede o nome
e o nome que já esqueceu o som.
Não quero repouso.
Quero o instante antes da paz —
o exato segundo em que tudo
ainda respira
e delira.
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Uma resposta para “Poema de Mim”.
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Belíssimo poema, Lara.Humano-angelical, cotidiano-filosófico. O mergulho da palavra n’alma.As duas últimas estrofes são magistrais.Parabéns, parabéns. Hugo.
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